terça-feira, 14 de outubro de 2008

Do amor e da mulher amada

 
I

Ao abraçar a mulher amada,
Seja capaz de suspendê-la do chão
E rodá-la até a tontura
Mas nunca fique tonto
Pois ela espera que você a leve aos ares
Enquanto se mantêm seguro
Para que quando aterrissar
Possa repousar tranquila em seus braços
Bamba das pernas e firme de sentimentos
Se você não souber que a ama
Ela jamais saberá

Se por algum motivo estiverem
Você e tua amada, meio à multidão
Não a deixa confundir-se nem misturar-se
Ergue-a por entre as coxas em seus ombros
E mostra que a mulher amada
É sempre uma entidade destacada
Que merece o pedestal de tuas espáduas
E a passagem da multidão

Portanto pensa bem e recomenda
Cautela quanto à altura de suas saias
Adverte-a, se for o caso
De que pode haver multidão e que a saia
Porá ambos em situação embaraçosa
Dito isso, nada contra um belo
Par de pernas desfilando pela rua

Se acaso estiver com amigos ou família
E ela te chamar
Manda que espere, manda que não durma
E bebe com os amigos, e fala com os parentes
E ama as amantes sem qualquer pressa
Agora quando acabar, pouco importa
Quão cansado, quão sujo ou quão longe
Esteja. Não importa também
Se você não é mais necessário
Vai direto para ela e não a deixa
Até ser perdoado
Toda mulher sabe admirar um homem
Preparado para não abandonar ninguém

Se lhe trouxer flores que sejam roubadas
A beleza da flor não está no enfeite
Nem na delicadeza, nem no perfume
Muito menos no preço
Está no fato de você ter se arriscado
Para ter em sua posse algo que não tem
Qualquer utilidade senão agradá-la
Compre flores apenas nos enterros
Um homem que presenteia uma mulher
Com flores do florista
Põe um preço em seu amor

Morda. Mas nunca com frivolidade
A mordida é por vezes mais importante
Que o beijo. Ao longo da vida
As mulheres esquecem-se dos homens
Que as beijaram. Mas nunca vi uma
Que se esquecesse dos corajosos
Os desesperadamente corajosos
Para, na angustia e abandono mais
Sublimes as morderem loucamente
Por puro desejo, pura necessidade
Sem qualquer razão para tanto

Traia. Muito. À farta, com quantas puder,
Quantas vezes puder e em
Todos os lugares em que puder
Trate a todas como à dona do amor original
Mas deixe que todos saibam
De quem é seu coração
Quanto à amada de verdade
Não conte vantagem, mas também não minta
Se ela perguntar, confunde entre tuas mãos
As dela e pede perdão, perdão apaixonado

Vai meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado

Um comentário:

Anônimo disse...

Aprecio muito este poema, mesmo sabendo que discordo de algumas atitudes. Porque ele é emoção.