segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Do amor e da Mulher Amada

II

Encontre para ela um adjetivo novo
Sempre que a encontrar
O teor do adjetivo pouco importa
Pode ser gorda, feia, velha, usada
O que importa mesmo
É que todo dia você a ache nova
Diferente do que era antes
Para que ela sinta-se descoberta
Toda vez que te encontrar
Como uma pérola escondida na concha

Ainda que eu preze pela sinceridade
Aconselho prudentemente a intercalar
Os adjetivos sinceros com alguns pomposos
Linda, radiante, encantadora, divertida
Mesmo que não seja sempre honesto
Procure algo que você possa dizer
Com alguma dignidade. Ganham ambos
Você que a mantêm consigo
E ela que a mantêm contigo

Incomode, importune, atormente
Faça-se presente nos piores momentos
Apareça principalmente
Quando não é convidado
E falte ou atrase quando ela o espera
Isso te fará marcante, detestado, a encherá
De emoções fortes e arrebatadoras por você
Assim, logo após

Desculpe-se, redima-se, humilhe-se
Se necessário
Até que ela acredite que nada que você
Fez foi feito por mal, mas sim
Pela mais visceral necessidade dela
A atenção dela, a presença dela
A companhia dela, o tempo dela
Ela toda

Sê sincero, tudo que não gosta nela
Diga sem qualquer receio
Xingue se necessário, seja grosso
Dê cenas no meio da rua, fale alto
Embarace, humilhe, mas não minta
Os olhos de um apaixonado
Perdem todo brilho na mentira

E do que gostar não poupe elogios
Mas também não exagere
Ou parecerá falso
Espera o momento e a hora perfeita do elogio
Às vezes é na frente de muitos
Às vezes é longe de todos
Às vezes basta um suspiro
Ou até mesmo um olhar

Agora se possível intercala ambas
A sinceridade agradável da desagradável
Se exagerar na primeira ela saberá
A solidez de teus sentimentos
E não é prudente dar a qualquer mulher
Tal segurança. Se exagerar na segunda
Corre o risco de perdê-la

A insensatez, que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor, o seu amor
Um amor tão delicado

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